quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A origem dos conflitos emocionais


Alguns profissionais que estudam a mente e o comportamento humano se indagam se existe alguma outra explicação para a origem dos problemas emocionais, além das razões genéticas e traços característicos de personalidade.

Geralmente, as pessoas não se aprofundam em conhecer os mecanismos mentais e se dão por satisfeitas com os diagnósticos que recebem: estresse,  transtorno do estresse pós-traumático, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, doença psicossomática, entre outros. Mas de fato, o que causou essa série de sintomas que as levaram a tal diagnóstico? Seria somente a genética, o meio social, o fator emocional? Às vezes ficamos refletindo se pode existir uma causa subliminar por trás de toda a sintomatologia que nosso "saber" psíquico nos permite conhecer.

Observando pessoas e ouvindo histórias diferentes, com níveis variados de complexidade, e interpretando opiniões e comportamentos ao longo dos anos de profissão, chegamos a algumas hipóteses para o que seria a origem de pequenos conflitos emocionais que vivenciamos no dia a dia. Devemos considerar as causas multifatoriais existentes, entretanto, nosso foco será apenas uma delas.

A causa primária para os males emocionais e para as feridas da alma, é a FALTA DE AMOR. Ou seja, as pessoas na verdade sofrem por não identificarem o amor que esperavam receber, ou, que julgam merecer daqueles a quem elas têm grande expectativa de amor a ser correspondido.
 


Somos seres criados para o amor, isto é, para amarmos e sermos amados. Quando experimentamos a falta de amor em algumas situações de nossa vida, desenvolvemos uma série de sintomas que chamamos de depressão, ansiedade generalizada, estresse, baixa auto estima, transtorno alimentar, etc. Entre tantos diagnósticos, sintomas e sentimentos que nos fazem sentir mal, nossa mente manifesta uma série de reações provenientes da falta de amor percebida, seja de maneira consciente ou inconsciente.

Não  se trata de as pessoas não serem amadas, pois elas são em algum grau e por pessoas ao seu redor. Referimo-nos ao fato de experimentarmos da falta de amor, em alguns momentos de nossas vidas, vindo de pessoas ou situações que possuem valor estimado para nós. E mesmo que seja muito amado, se o indivíduo não perceber da mesma forma, ele pode desenvolver algum tipo de adoecimento emocional, porque ele faz uma interpretação subjetiva da manifestação do amor do outro, atribuindo um nível de expressão de amor inferior ao que ele deseja. Por isso é muito importante a ressignificação de alguns acontecimentos marcantes em nossa história de vida.

Exemplos:

- Depressão causada pela perda de alguém que faleceu: muito mais do que sentir saudade, as pessoas sofrem por que não vão mais receber o amor manifestado por aquela que faleceu, e não poderão mais externar o mesmo sentimento por ela. Portanto, é uma dor causada pela falta de amor que o sujeito passa a experimentar.
- Divórcio ou qualquer tipo de separação conjugal, inclusive o namoro: as pessoas sofrem por que experimentam a falta de amor por parte do parceiro(a) ao desistir da relação, como se sentissem que seu companheiro(a) já não o amasse mais. Não importa a causa da separação. Sofremos por que nós experimentamos a falta de amor que o outro não teve pela gente como gostaríamos. É por isso que quando estamos amando novamente e sendo também amados, nossa dor e nosso vazio momentâneos se vão. 
- Crianças que apresentam mudanças de comportamento e aprendizagem devido a separação dos pais: elas sofrem porque também sentem em seu íntimo a falta de amor de quem as "deixou". (Falta de amor ao lar, à manutenção da família, à mãe - quando é o pai quem sai de casa - e a si mesma).
- Rejeição: seja ela de que espécie for e de quem vier. Do pai, da mãe, amigos, irmãos, parentes, cônjuges, ou namorados. Sofremos por que quem esperávamos nos amar passa a nos rejeitar e isso acarreta ressentimentos com consequências psicológicas e comportamentais a longo prazo. Na maioria das vezes as pessoas não se dão conta de que a origem dos seus desafetos, do seu mau relacionamento interpessoal, do seu humor oscilante, ou da sua tristeza crônica, está na rejeição que um dia ela experimentou de maneira intensa.
Sentir-se rejeitado é o grau máximo da sensação de falta de amor. Por isso é uma das sensações que mais doem e, também, a que mais interfere em outras áreas da nossa vida. A rejeição é uma espécie de ferida narcísica. Entretanto, podemos lidar adequadamente com ela, elaborando e ressignificando as impressões de rejeição que carregamos.
- Guerras, briga pelo poder e pelo dinheiro: é possível notar de maneira nítida nesses casos a total falta de amor ao próximo.
- Assaltos, homicídios, violência, estupro. Nos sentimos mal e nos incomoda, porque em todas essas situações provamos da falta de amor de uns para com os outros e tememos sofrer tais danos.
- Transtornos e comportamentos que as pessoas desenvolvem para serem aceitas no meio em que vivem: na verdade elas estão criando uma espécie de mecanismo de defesa para não experimentarem a falta de amor e a rejeição alheias.
- Culpa, sentimento de inferioridade: podem ser causados pela experimentação da falta de amor que alguém teve em relação a gente, mas também podem ser indícios de uma outra falta de amor: o amor próprio.

Isso que aqui chamamos de "falta de amor" é apenas a percepção e a sensação que temos quando alguém não nos apreciou e não nos valorizou da forma como esperávamos. Não entenda esse termo "falta de amor" como "zero de amor". O foco está na percepção do sujeito que julga se foi amado ou não, independente do quanto alguém o ofereceu afeto.

Não são minimizadas as explicações genéticas e alterações neuroquímicas, pois elas existem e são significativas. Entenda essa percepção de falta de amor como fator contribuinte e muitas vezes o estopim para conflitos emocionais.

Analisar sob essa ótica as feridas da alma, pode nos ajudar a escolher melhores atitudes no nosso dia a dia, pode nos ajudar a compreender o outro e a identificarmos onde estariam nossos reais conflitos, trazendo à consciência aquilo que encobrimos de maneira inconsciente ou não.

Uma das formas de tratar feridas emocionais é através  da EXPRESSÃO do amor, do autoconhecimento e do perdão.

Aquela instrução "amar ao próximo como a ti mesmo" deveria ser considerada por nós como uma norma imprescindível para uma boa saúde psíquica. Talvez assim evitaríamos muitos sintomas emocionais.

Vale a pena seguir essa instrução: nós só temos a ganhar.



Hoje, de maneira especial, com muito AMOR.
Mileni Barros



(O conceito de alma que aqui me refiro, em nada tem a ver com questões espirituais. Psicologia vem do grego "psique" que significa alma).
(Lembrando que transtornos emocionais devem ser tratados com medicação e psicoterapia).

8 comentários:

  1. Muito bom. Faz sentido.

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  2. milene, sou estudante de psicologia e adoro tudo que vc posta.
    vc tb é linda.
    bj. katia

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  3. Amiga, perfeito seu texto publicado aqui. Depois de ler pude compreender melhor um comportamento de uma pessoa. Saudadessss Bjsss

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