sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Fugindo do trauma emocional

Olá, pessoal!!! Como vão?
Saudade de digitar umas linhas aqui no Divã essa semana. rsrs...
Esses dias foram bem corridos para mim, por isso gostaria de pedir desculpas pela ausência nesses dias que ficamos sem publicações.

Apesar da minha ausência semanal, gostaria de avisar que as ideias de assuntos para posts a serem publicados aqui no blog estão bombando nos meus neurônios.rs. Sempre que surge uma ideia de algum conteúdo novo, eu vou correndo anotar  no bloco de notas do celular, que por sinal, já está ficando com uma lista grandinha. rsrs...

Para vocês terem uma ideia, o tema do nosso post de hoje já está anotado na minha 'agendinha' há mais de um mês. (Sério!). É que eu fui priorizando outros assuntos e esse acabou ficando pra trás.

Portando, 'bora' colocar em dia essas publicações e parar de blá-blá-blá! ;-)
hehehe.
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Há aproximadamente um mês, estava conversando com uma pessoa que me contou a respeito de um personagem em uma das atuais novelas "globais". Na conversa essa pessoa até me fez algumas perguntas sobre a conduta psicológica do personagem Atílio, interpretado pelo ator Luis Melo, questionando se não era "invenção" de autor de novelas, ou se aquele problema realmente existia.


Pelo que me explicaram (eu não tenho o hábito de assistir novelas), após sofrer um acidente automobilístico o personagem passou a ter algumas crises de amnésias, e em consequência disso, ele esquece quem é, e passa a viver uma nova vida em outro lugar, criando novos vínculos, inclusive casando-se de novo com outra mulher. Ou seja, a pessoa passa a viver uma vida diferente da que tinha, aparentemente de maneira natural, sem apresentar déficits cognitivos, ou de mau convívio.

No exato momento em que ouvi isso, lembrei das minhas aulas de psiquiatria na faculdade (ao contrário do Atílio eu tenho uma memória muito boa, rs) e não hesitei em responder: "a literatura psiquiátrica explica isso sim, e tem o nome de FUGA DISSOCIATIVA". De uma maneira ímpar, lembro em detalhes dessa aula, por isso não precisei pesquisar antes para responder à essa pessoa que conversava comigo. :-D

Portanto, o post de hoje é inspirado no transtorno desse personagem. Não sei ao certo se o "Atílio" tem mesmo esse diagnóstico, mas independente disso resolvi vir aqui explicar do que se trata, porque não é um "problema" muito conhecido e pode levar as pessoas a confundirem com mau-caratismo, ou outros transtornos psiquiátricos.  Na prática clínica eu ainda não atendi nem uma pessoa que apresentasse tal diagnóstico, mas conheço as diretrizes diagnósticas.



Bem, segundo o CID 10 (manual de transtornos mentais e de comportamento), a fuga dissociativa é um quadro de perda de memória, não decorrente de transtorno mental orgânico. É usualmente centrada em eventos traumáticos como acidentes, ou perdas inesperadas. É associada a uma jornada em que a pessoa se desloca para longe de casa ou do local de trabalho, durante a qual o cuidado consigo é mantido. A pessoa desenvolve afazeres normalmente, e se relaciona de maneira natural com as outras pessoas. Em alguns casos, uma nova identidade pode ser assumida pelo fato de a pessoa ficar confusa quanto a sua própria identidade. Esse período de fuga pode durar poucos dias, mas também longos períodos de tempo em um grau surpreendente de perfeição. As viagens podem ser para lugares conhecidos e de significação emocional. O indivíduo pode não se lembrar do que fez no período em que esteve sob a fuga.

Atenção: Não confunda Fuga Dissociativa com transtorno de personalidade múltipla, nem com surto psicótico.
Não são classificados como Fuga Dissociativa casos de perda de memória provenientes do uso de álcool ou drogas.

Lembrando que esse é um post informativo, e que diagnósticos desse nível devem ser feitos por um médico psiquiatra.

Mas e vocês, já ouviram falar de algum caso de Fuga Dissociativa?

Maiores informações, escrevam nos comentários.

Abração,
Mileni Barros.




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