sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A tríade do amor: o que faz um relacionamento dar certo



Escrito por Mileni Barros
Psicóloga & Coach
Hipnose Terapêutica

Sabemos que a fórmula do amor não foi encontrada e talvez nem exista, entretanto, estudos e pesquisas dedicados ao tema do amor são aprofundados por psicólogos sociais das universidades mais renomadas do mundo acadêmico. Existem teorias e leituras comportamentais que nos ajudam a compreender os determinantes do amor e suas variações. Por conseguinte, existem também conceitos diversificados sobre o que é o amor.  

Quantas frases e canções tentam expressar o maior e mais forte de todos os sentimentos! Se fizermos uma pesquisa, ou uma simples busca virtual, encontraremos dezenas de nomes que explicam as formas variadas desse sentimento: o altruísta, o fraternal, o romântico, o amor eros, o amor ágape, entre outros.


O presente artigo aborda sobre esse sentimento que nos move. Estamos falando  do amor nos relacionamentos íntimos, ou seja, entre casais.

É bem mais poético dizer que amor não se define e sim se sente. E é verdade! É bem melhor sentir o amor do que procurar defini-lo, pois algumas vezes não encontramos palavras suficientes para expressar tamanho afeto. Contudo, compreender o sentimento de amor e saber esmiuçá-lo dentro de nós, nos permite melhor entendimento acerca das nossas paixões, acerca do que nos prende, assim como em que nossas motivações afetivas estão entrelaçadas,  o que nos mantém numa relação e o que nos afasta dela.

É muito comum as pessoas se pegarem indagando se realmente amam ou não alguém. Assim como é comum confundir se o sentimento de amor não foi substituído por outro sentimento ou por outra forma de amar. Por que amamos  a quem amamos? Verdadeiramente amo? O que priorizo nas minhas escolhas afetivas? Devo sair ou não de um relacionamento? Bem, não tenho a pretensão de responder a essas perguntas tão peculiares. Cabe a cada um procurar as suas razões, porém, creio que através desse artigo você poderá encontrar o caminho para chegar até suas respostas. Que ao ler esse texto, você entenda melhor seus amores e desamores até então já vividos.

O que é gostar?

Geralmente nós gostamos daquelas pessoas que nos gratificam, e desgostamos daquelas que não nos agradam de alguma forma, seja por causa do comportamento que emitem, seja por que elas não nos recompensam. Nós gostamos das pessoas quando percebemos que nossas interações com elas são recompensadoras, isto é, quando os benefícios que tiramos da relação suplantam os custos. Desta forma, gostamos de alguém que é similar a nós em atitudes, valores e interesses, pois as pessoas similares a nós geralmente nos gratificam, concordam com a nossa opinião, não nos criticam, possuem a mesma familiaridade e proximidade. Isso explica por que gostamos de pessoas com quem passamos a conviver, pois a convivência traz apreço às nossas relações, e explica também por que alguém nos chamou a atenção de uma forma especial. O gostar elucida nossas amizades e a nossa interação com várias outras pessoas, ou grupos. Gostamos de tantas outras coisas simplesmente por que nos fazem sentir bem. Uma simples conversa pode nos fazer gostar de alguém. No caso dos relacionamentos íntimos, o gostar inclui atração física. Alguns relacionamentos podem estagnar apenas em gostar (é o comportamento de "ficar" por um tempo), mas alguns ganham força através do convívio, e evoluem para outros níveis de amor. 

Investimento

Para que uma relação amorosa seja construída e se mantenha, além de gostar e se atrair, é necessário que haja INVESTIMENTO. Investir é depositar recursos pessoais para que o relacionamento cresça, se desenvolva e se conserve.  É quando o casal emprega tempo, energia, carinhos, afetos e esforços para criar e/ou manter a relação.

Alguns relacionamentos se desfazem porque não houve a manutenção do investimento ao longo dos anos, além de outras razões, evidentemente. Muitos parceiros se acomodam dentro da vida conjugal, o que pode trazer algum comprometimento na interação a dois. Muitos namoros também terminam ainda no início porque uma das partes não percebe um equilíbrio no nível de investimento do parceiro, e se o amor ainda não estiver solidificado, leva ao rompimento.

Diante disso, então o que é amar?

Para que se configure o amor é necessário: precisar do outro, ou seja, de um forte desejo em estar na companhia e ser cuidado pelo outro; desejo de cuidar, de fazer as coisas e ajudar o outro; confiança e a tolerância às faltas do parceiro.
Estes quatro componentes inicialmente caracterizam uma relação amorosa, que vai além do gostar.
O gostar está incluso no amor, mas o amor não está incluso no gostar. 

O que pode levar um relacionamento ao fracasso ainda no INÍCIO?

Despreparo emocional, falta de autoconhecimento, estar preso a emoções ou pessoas do passado, falta de investimento,  imaturidade relacional, expectativas altamente elevadas no outro, feridas emocionais, carências afetivas pessoais elevadas, não estar certo do que quer naquele momento, entre outras razões. Identifique se existe em você algumas dessas causas.

Quando estamos mais insatisfeitos com nós mesmos é que estamos mais vulneráveis ao amor. Quanto maiores as necessidades de uma pessoa, mais ela produzirá fantasias sobre o parceiro(a) que poderia satisfazê-las.

Quando crianças não recebemos instruções diretas sobre a natureza do amor, simplesmente observávamos aqueles que nos rodeavam e na relativa confusão de nosso mundo infantil confundimos fantasia e realidade, e de forma inconsciente vão se formando nossas ideias a respeito do que seja o amor. Por isso, a família também desempenha seu papel nesse processo.

Tipos de amor:

1- Amor passional, Paixão, amor Eros, ou amor romântico 

É o tipo de amor baseado no quesito "precisar do outro", na necessidade aflitiva de dependência, na atração física, na excitação sexual, no usualmente chamado de "química"/"pele",  na paixão e idealização do parceiro.
A pessoa tem pouco controle sobre o curso desse tipo de amor porque ele é basicamente uma questão de emoção. Seu surgimento é súbito, mas sua duração é relativa. Geralmente aparece associado a emoções conflitivas, baseado na fantasia e idealização, no misto de necessidade de segurança e emoções fortes. Muitas pessoas valorizam suas relações amorosas pelo nível intenso de resposta emocional que elas proporcionam.

A atratividade física está fortemente associada a paixão, inclusive sobrepondo a características como tipo de personalidade, traços de similaridade e familiaridade.

Nesse tipo de amor existe afinidade? Sim, alguma afinidade sempre existe em todos os tipos de amor, inclusive no gostar, como falamos acima. A atração física e excitabilidade emocional são os componentes que predominam nesse tipo de amor, sobrepondo às outras características, embora a afinidade e a troca de afetos também estejam presentes nessa relação.

Esse tipo de amor é muito comum na nossa cultura. Muitos jovens e adolescentes vivem seus romances baseados unicamente nesse tipo de amor, por isso se frustram. É o amor que as novelas e Hollywood nos transmitem, querendo nos passar a mensagem de amor ideal. Neles os personagens se conhecem, vivem uma intensa e avassaladora paixão, logo em seguida se casam e vivem felizes para sempre. Muitas pessoas se casam por estarem tomadas por esse tipo de amor, inclusive muitos artistas e celebridades, por isso suas vidas amorosas são sempre cheias de idas e vindas.

Se apaixonar pode ser algo positivo desde que a paixão não nos impeça de identificar e cultivar os outros tipos de amor que veremos a seguir.

2- Amor pragmático


Esse tipo de amor enfatiza a confiança, a tolerância, e o companheirismo. Ocorre mais entre adultos maduros visando relacionamentos duradouros, que se desenvolvem um pouco mais devagar e com maior controle por parte dos envolvidos. Em vez de apaixonar-se subitamente, cada pessoa "se permite" tornar atraída pelo outro. Vale lembrar que se as partes não souberem dosar suas emoções com equidade, ficando assim muito na defensiva, elas tendem a desmotivar o parceiro que intenciona conquistá-las. Uma coisa é você "controlar" a paixão, outra bem diferente é abafar a emoção integrante do processo. Isso nos mostra que é necessário que haja também investimento e demonstração emocional.

Esse é um tipo de amor onde a compatibilidade entre os envolvidos é fundamental, assim como a similaridade de atitudes, confiança e compreensão mútuas, apreço, admiração, respeito e amizade consideráveis. É o amor companheiro, por isso costuma ser mais tranquilo, forte, longe das turbulências do amor passional.

O amante pragmático está em busca de um parceiro compatível. Ele tem mais ou menos enumerado os tipos de qualidades práticas que ele deseja em um companheiro, que geralmente tem a ver também com similaridades sociais, interesses pessoais, temperamento aceitável. Se a conquista ou o início da relação não funcionam, os pragmáticos vão em frente em busca de outro alguém.

3- Amor baseado no comprometimento

O amor que se inicia com prioridade no comprometimento é muito comum em algumas culturas orientais, em que é firmado primeiro um compromisso entre as partes para só depois desenvolverem os outros tipos de amor. É possível? Sim. Nós não estamos habituados ao amor que inicia-se dessa maneira, mas é um tipo de amor que também existe na nossa sociedade. Senão, nossas relações amorosas não durariam.

Na nossa cultura esse tipo de amor existe de forma subentendida entre os casamentos (uniões estáveis) de longa data. São aqueles casais que parecem mais amigos, menos amantes e, por razões variadas, estão ligados pelo elo do comprometimento e da manutenção

Acontece também em alguns casos de namoros longos, em que os parceiros às vezes se encontram desmotivados, mas por razões emocionais subjetivas, não conseguem se desvencilhar do namoro. É muito comum que jovens solteiros nessa situação sintam-se confusos quanto ao tipo de sentimento que nutrem pelo ser amado. Geralmente, eles se sentem compelidos a fazer dar certo acima de tudo.

Como já mencionado em outro artigo aqui no Divã, (clique AQUI ) é necessário que as pessoas aprendam a lidar com os sentimentos de rejeição e solidão para evitar que se aprisionem dentro de um relacionamento conflitante devido suas dificuldades emocionais.

O comprometimento não saudável, é aquele que se mantém unicamente por situações emocionais aflitivas dos parceiros, como dificuldade em sentir-se rejeitado e sozinho; assim como a manutenção  em vista dos filhos, dependência financeira, para não dividir os bens materiais, status social que o parceiro oferece, consequências sociais entre os grupos que frequentam, entre outras razões. 

Esse tipo de amor tem sido muito enfraquecido em nossa cultura, devido à máxima popular "não deu certo, separa".  Esta forma de pensar tem banalizado a duração das relações afetivas que muitas vezes têm se desfeito por razões que podiam ser contornadas com esforço pelas partes.

O amor baseado no compromisso é VITAL para manter os casamentos e fazerem com que namoros evoluam para noivados e matrimônios.

Compromisso é promover e manter a interação a dois, apesar das dificuldades e dos obstáculos, visando a continuidade da relação.

 





4- O amor ideal (paíxão + companheirismo +  comprometimento)

 


É o amor que inclui essas três formas de amar: amor passional, amor pragmático e por comprometimento. Ele é pouco atingido porque muitas vezes também não é muito buscado. Em alguns casos as pessoas se casam baseadas em apenas um, ou dois desses tipos de amor. Entretanto, buscar esse amor completo é plenamente possível com dedicação, interesse, maturidade e propósito.

Considerações a fazer:

Muitos romances se iniciam com o amor passional, em que os casais desenvolvem logo em seguida o amor pragmático e o comprometimento, por isso se tornam casais felizes e amantes que vemos por aí, apesar das dificuldades conjugais que enfrentam. A despeito de histórias assim que conhecemos, devemos descobrir primeiro se a pessoa que nos despertou interesse combina ou não com nossa maneira de ser e com aquilo que buscamos para nossa vida, para só depois investirmos nossas emoções nela. Entretanto, falhas podem acontecer no percurso, porém, não as falhas que você procurou evitar.

Em contrapartida, muitos se relacionam baseado em apenas um, ou dois desses tipos de amor, como já mencionei, e não dão certo. Depende do grau do amor de comprometimento de cada um.

A grande maioria hoje não desenvolve o COMPROMETIMENTO na relação, por isso se separam sem muitas contestações.

As marcas de um divórcio poder ser perduráveis por toda a vida de uma pessoa. Algumas conseguem superar, outras nunca mais superam.

Talvez você esteja pensando: "eu consigo viver essas três formas de amor, mas por mais que eu faça tudo 'corretamente' não dá certo". Lembre-se, você precisa encontrar alguém que viva essas três formas de amor junto com você. Parecem muitos "pré-requisitos", mas na prática a linguagem do amor é simples. Você só precisa ficar atento e estar bem consigo mesmo. 

Traços de personalidade, temperamento e mudança de comportamento fazem com que as pessoas também mudem sua opinião quanto a forma de amar. Por isso, quando adolescentes fazemos escolhas sob o impacto do amor passional, e quando adultos maduros escolhemos baseados no amor pragmático.

Existem regras? Por se tratar do universo humano e da complexidade das emoções, regras infalíveis não existem, talvez por isso ainda não tenham descoberto a tão proclamada "fórmula do amor", mas existem caminhos que nos norteiam e podem nos ajudar a minimizar erros.

A infidelidade, indiferença, maus-tratos, atos de agressão, comprometem em algum grau todos os tipos de amor, inclusive o de comprometimento, levando a maioria dos casais a se separarem nesses casos.

Além de procurar seu par ideal você deve estar preparado e livre POR DENTRO. (Leia esse artigo AQUI). Antes de exigir as melhores características no parceiro, avalie se você está pronto para oferecê-las.

Amor é sentimento ou escolha? Amor é sentimento, mas amar é um ato de escolha! O sentimento de amor só evolui, ou se mantém, quando se DECIDE amar. Portanto, escolha amar seu(a) parceiro(a) TODOS OS DIAS!

Como diz a canção: "Saber amar é saber deixar alguém te amar..." Permita-se ser amado!

Mileni Barros
Psicóloga











2 comentários:

  1. Mto bom ter lido esse artigo, ficou bem explicado. Agora eu entendo porque não dei certo com uma pessoa.

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    1. Olá. Que bom que o texto foi esclarecedor pra vc e permitiu que vc associasse o assunto com alguma situação de sua vida.
      O entendimento abre nossa mente e nossa percepção sobre nós mesmos.
      Obrigada por sua visita. Volte mais vezes. Abração.
      Mileni.

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