domingo, 23 de março de 2014

Ciúme pra quê?



  Escrito por Mileni Barros
Psicóloga & Coach
Hipnose Terapêutica

O ciúme se manifesta diante da possível ameaça de perder o amor, ou a prioridade do outro com quem mantemos uma relação. Geralmente, o ciúme é causado pelo medo, sentimento de posse e insegurança.

Existem níveis variados de ciúme, assim como cada grupo de pessoas lida de maneira diferente com ele. Alguns sentem pouco ciúme, outros conseguem administrar bem esse sentimento e não o demonstram, porém, existem aqueles que se sentem muito ameaçados e, portanto, tentam exercer maior controle nas atividades do parceiro. O ciúme varia do grau mais baixo ao mais elevado que é o ciúme patológico. A explicação psíquica do ciúme tem origem nos mecanismos psicológicos infantis e nas crenças afetivas que foram consolidadas ao longo da história de vida da pessoa.


Entre os níveis de ciúme, existe aquele proveniente de fatos reais, que é, por exemplo, quando alguém (uma possível ameaça) se aproxima direta ou indiretamente do nosso parceiro, gerando em nós um ciúme momentâneo. E existe também o ciúme fantasiado e imaginário, ou seja, aquele que não é explicado por nenhum fato explícito e real que o confirme. Para a maioria dos ciumentos toda sensação de ciúme é real, pois eles têm a convicção de que estão sendo movidos por um acontecimento óbvio e verdadeiro. O ciumento patológico nunca acha que está imaginando situações fora da realidade, pelo contrário, sua percepção é que realmente existe um perigo iminente e que, se ele não tomar alguma providência, será traído ou "abandonado". Geralmente, essas pessoas possuem um perfil de personalidade inflexível e com pensamentos de teor obsessivo.


O ciúme é um sentimento natural do ser humano, contudo, não devemos achar que deve também ser normal, isto é, que ele deve estar continuamente nas interações afetivas. Esse sentimento não deve ser alimentado e nutrido em nossas relações, porém, é muito comum algumas pessoas acharem que "sentir um pouco de ciúme é bom". Precisamos desmistificar algumas opiniões do senso comum. Ciúme NÃO é bom! Pois o ciúme não é sinônimo de amor, mas de posse, medo e insegurança, mesmo que em graus menores e pouco relevantes. Esperar que o nosso parceiro "prove" seu amor por nós através de pequenos atos de ciúmes é tão inoportuno quanto controlar quem amamos por insegurança e medo.
 
Devemos compreender que tudo o que é bom e duradouro é proveniente do AMOR. Ou seja, a alegria, o prazer, a liberdade, o bem estar, a satisfação, a segurança, a confiança, o gostar, entre outros. Em contrapartida,  tudo o que nos faz sentir mal e incomodados não provém do amor, ou seja, a tristeza, o mal estar, a inveja, o ressentimento, a insegurança, o desconforto, o ciúme, etc. Logo, se estamos sentindo ciúme, este não tem origem no amor genuíno, mas no medo, posse e insegurança. 

Como ajudar o ciumento?

A melhor forma é propor uma psicoterapia. Também ajuda um pouco ler sobre o tema, fazer uma autoanálise e autorreflexão sobre as razões do ciúme, se foi aprendido no contexto familiar, ou se é devido a um excesso de insegurança, ou situações afetivas do passado. Sobretudo, é preciso refletir a respeito dos conceitos, valores e comportamentos que são emitidos. Quando se trata de um ciúme em menor grau, o parceiro pode contribuir proporcionando segurança e diálogo com o intuito de obter uma boa elaboração do ciúme passageiro. Lembrando que oferecer segurança é diferente de oferecer o comportamento condicionado e controlado que o ciumento espera por parte do companheiro. 

No setting terapêutico, quando uma pessoa procura o psicólogo por motivo de ciúme elevado, levamos em conta outros sentimentos envolvidos além dos que já foram mencionados acima: insegurança, medo, baixa autoestima, conceito de amor, medo de rejeição, da perda e de solidão. São trabalhados o autoconhecimento, a autoconfiança, ressignificação de aspectos do passado, crenças limitantes e outros pontos que estão fragilizados na mente do cliente/paciente.

É importante lembrar que existe também o perfil de parceiro que provoca e insinua o ciúme no outro. Em princípio, essa pessoa apresenta uma necessidade de autoafirmação e insegurança que, por conseguinte, escondem outros sentimentos e pensamentos disfuncionais.  É preciso conversar com ele e expor as consequências do seu ato. Se for algo constante e que cause conflitos, é necessária a ajuda de um profissional. 

Como lidar com aquela pequena insegurança que surge no dia a dia em situações reais?

Primeiro ter consciência de que você está diante de um sentimento natural: a insegurança e o medo de perder a pessoa amada. Segundo, nós devemos evitar desgastar nossas relações toda vez que alguém elogiar nosso parceiro, ou olhar mais fixamente para ele, por exemplo. Observe sempre a postura do seu companheiro(a) e se ele corresponde ou não às investidas de uma terceira pessoa. Algumas situações requerem de nós apenas atenção. Fique atento, mas procure ser prudente na hora de agir, para isso é necessário exercer autocontrole.  Se a situação estiver extrapolando, converse de forma assertiva e exponha sua opinião com o parceiro. 


Lembre-se, o amor é livre, porque é a expressão da liberdade da alma. Apesar de o nosso parceiro ter outras possibilidades para viver, ele escolhe usar sua liberdade de amar para estar ao nosso lado. E é isso que devemos valorizar. Permita-se ser amado!

Mileni Barros
Psicóloga





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