sábado, 31 de maio de 2014

Exercício físico para a saúde do cérebro




Antigamente, o exercício físico era recomendado apenas para manter o coração saudável, o colesterol baixo e a pressão arterial sob controle. Hoje em dia, ele é indicado também para manter a saúde do cérebro: dá motivação, promove a socialização, combate os efeitos nocivos do estresse crônico, a depressão, a ansiedade, melhora a memória e o aprendizado, e ainda faz o cérebro produzir substâncias que mantêm os neurônios saudáveis e mais resistentes a danos.

A prática de atividades físicas começa a trazer benefícios já com uns 20 minutos de suor, quando o corpo começa a produzir o hormônio cortisol como reforço à disponibilização de energia para os músculos. Além de imitar o que o sistema simpático já estava fazendo, aumentando a frequência cardíaca e o fluxo de sangue para os músculos, é o cortisol que faz com que as reservas de energia na forma de gordura comecem a ser utilizadas. Ou seja: só se começa a queimar gordura com uns 20 minutos de exercício. Por isso 10 minutinhos de cada vez não adiantam – nem aquela caminhadinha leve.



Além do prazer imediato que o esforço físico proporciona (mas, de novo, só se for intenso o suficiente) com a liberação de endorfinas no cérebro, terminar o exercício é relaxante. O corpo descansa com o aumento da atividade parassimpática, que promove a recuperação física e o crescimento muscular, e ainda ganha uma injeção de prolactina, hormônio ansiolítico que também é produzido no orgasmo. Isso tudo além do relaxamento muscular em si: é relaxante dar um uso a toda aquela tensão muscular acumulada ao longo do dia.

E os benefícios continuam com a prática regular, que hoje é considerada o que há de mais próximo de um elixir da juventude. O exercício físico intenso regular faz o corpo aumentar a liberação de dois hormônios, o IGF-1 e o hormônio do crescimento, cuja redução com o passar dos anos está associada ao envelhecimento normal do corpo e da mente. Com mais idade e cada vez menos desses hormônios, o corpo acumula gordura, perde massa muscular, potência cardíaca e elasticidade das artérias e, de quebra, ainda perde neurônios no cérebro, sobretudo se o estresse for uma constante na vida.
Tudo isso é inevitável para quem leva uma vida sedentária – mas muda drasticamente quando se começa a suar com regularidade. Produzindo mais IGF-1 e hormônio do crescimento, a massa muscular aumenta, o índice de gordura corporal diminui, os ossos e o coração se fortalecem, e até a produção de colágeno da pele aumenta, o que ajuda a manter o aspecto jovem. E os benefícios se estendem ao cérebro, conforme o IGF-1 do sangue aumenta a produção de um fator de crescimento que mantém os neurônios saudáveis, facilita a memória e protege os neurônios de insultos como isquemias e derrames. A memória melhora, as respostas ao estresse se tornam mais sadias, a ansiedade diminui.

Não fomos feitos para ficar sentados no sofá. Os confortos da vida moderna são ótimos, mas o sedentarismo talvez seja um grande responsável pelo lado ruim do envelhecimento. Não dá para parar o tempo, mas reverter os seus efeitos indesejáveis sobre corpo e cérebro está ao alcance de todos. Basta suar a camisa.

E qual a melhor atividade física? Minha resposta: a que você gostar, seja dança de salão, futebol, frescobol, corrida – desde que faça você suar. Por que o exercício de que você gosta é o único que você vai realmente fazer...

Revista Mente e Cérebro
Suzana Herculano-Houzel
Dezembro / 2013
(Veja Aqui)

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