segunda-feira, 5 de maio de 2014

Não me vejo como sou






Hoje em dia é muito comum lermos reportagens falando sobre pessoas que fizeram cirurgias plásticas até ficarem parecidas com alguém, ou simplesmente porque nunca estão satisfeitas com sua atual condição física. Temos como exemplos o caso da moça que fez cirurgias e tratamentos para ficar semelhante à boneca Barbie. Ou, como as notícias que temos lido recentemente de um rapaz que se submeteu a vários procedimentos cirúrgicos para ficar parecido com o boneco Ken (o namorado da Barbie). Esporadicamente assistimos na TV ou nos dispositivos virtuais, pessoas que fizeram tatuagens para modificar o rosto e assim ficarem parecidas não só com outras pessoas ou personagens, mas também com animais. Exemplos: tatuagem nos olhos que deixam um resultado semelhante a olhos de cachorros, pessoas que querem ficar iguais aos felinos, ou a personagens da televisão, etc...

A constante insatisfação física e a percepção permanente de um defeito físico que não é notável aos olhos dos outros, ou mesmo não existe, tem nome: DISMORFIA CORPORAL (ou dismorfofobia, ou síndrome da distorção da imagem).



De certa forma, a cultura valoriza muito a aparência física e isso faz com que as pessoas procurem cada vez mais por padrões de beleza às vezes superficiais e pouco naturais. Num cenário como este, diagnosticar a Dismorfia Corporal torna-se algo difícil, pois frequentemente as pessoas a confundem com excesso de preocupação com a aparência.

O diagnóstico diferencial torna-se imprescindível. Dismorfia Corporal não deve ser confundida com vaidade, ou preocupação com a aparência, embora o excesso destes pode contribuir para um alerta.

Dismorfia Corporal é um transtorno psicológico em que a pessoa acredita ter um defeito físico, ou uma marca no corpo que ela não tem (ou é mínima), sendo uma percepção física imperceptível aos olhos dos outros. O dismórfico acredita que aquele detalhe físico e insignificante está sendo observado por todos e que é algo que prejudica consideravelmente sua aparência, quando na verdade não é.

Um bom critério diagnóstico pode ser justamente o de procurar saber como as outras pessoas veem o "defeito" apresentado pelo paciente, pois o portador dos sintomas acentua o que não é notório, ou tem uma impressão distorcida e aumentada de algo que é visualmente suportável e característico de seus traços.

Trata-se da busca pela "imagem perfeita" que, no entanto, nunca satisfaz a pessoa. É uma distorção da própria imagem corporal, onde são acentuados minúsculos "defeitos", ou pequenos aspectos que compõem suas características físicas.

Não há evidências para uma causa específica, mas acredita-se que a origem esteja no desenvolvimento da construção do ego do indivíduo, na cultura, na baixa autoestima e em traços neuropsicológicos.

Médicos que atuam na área da dermatologia e cirurgia plástica devem ter conhecimento sobre esses sintomas para sempre que considerarem necessário orientarem seus pacientes a um tratamento psicológico.

Em síntese, a melhor forma de viver bem é primeiro se aceitando. Olhar para si mesmo e enxergar um ser humano único e especial é o remédio para todas as distorções interiores que possamos carregar. Branco, amarelo, negro, baixo, gordo, alto, magrelo ou pernas finas, não importa, se cuidar faz bem para o corpo e para a alma, mas se ACEITAR  é vital para todas as outras coisas.


Mileni Barros






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