sexta-feira, 30 de maio de 2014

"Seu pai não liga pra você..."




Escrito por Mileni Barros
Psicóloga
Coach / Hipnose Terapêutica

Você já ouviu estas frases? "Seu pai (sua mãe) não liga pra você...", "seu pai (sua mãe) é sem juízo...", "ele(a) não vale nada..."; "seu pai nos deixou desamparados, ele é um egoísta, imaturo..."; "seu pai (mãe) está sempre ocupado, ele nunca pode ficar com você...".
Seu pai é "isso", sua mãe é "aquilo", e o filho no meio desse cenário de acusações e hostilidade. Sabe o nome que se dá a esse mecanismo psicológico sofrido pela criança? ALIENAÇÃO PARENTAL.

Alienação Parental é quando um dos genitores tenta afastar o filho do outro genitor. Isso acontece através de acusações e difamações que descaracterizam a imagem do genitor acusado e sua importância na vida da criança. O genitor alienante ao diminuir perante o filho a visão que ele tem de seu próprio pai (ou mãe) afasta esse filho do outro genitor e conquista para si um "aliado". Esse afastamento não se dá apenas por via verbal e afetiva, mas também por atos, ou seja, muitas vezes o "pai alienante" não permite que a criança esteja em ocasiões variadas com o "pai alienado", e passa a controlar e coibir a relação do filho com ele (pai ou mãe).


A alienação parental é um processo muito comum nas separações conjugais, porém, pode acontecer também entre casais que moram juntos, mas não convivem bem e assim vivem em uma família disfuncional.

Muitas vezes o pai alienante faz isso movido por sentimentos de rejeição, raiva, frustração e decepção em relação ao cônjuge, e não percebe claramente que ele está transferindo para o filho uma hostilidade de sentimentos em relação ao outro genitor que nem sempre diz respeito à criança. Em contrapartida, infelizmente existem pais que fazem isso intencionalmente como uma forma de "cobrar" do (ex)cônjuge seus ressentimentos e sua dor, não avaliando as consequências que sua atitude acarreta sobre seu filho.

Num primeiro momento, as crianças ficam confusas com todas as acusações em relação ao "bom e o mau" da história. Por temerem serem desaprovados, os filhos acabam introjetando para si o discurso de um dos pais.

Os avós, tios e demais familiares às vezes cumprem esse papel de "pai alienante" e acabam por afastar a criança de um dos genitores, ou até dos dois. É importante frisar que existem níveis leves, moderados e graves de alienação parental.
 

Consequências da alienação parental

A criança cresce com o sentimento de rejeição que normalmente o acompanha por toda a vida se não houver uma intervenção psicoterapêutica. Os desdobramentos desse sentimento são inúmeros. Podem influenciar vários outros sentimentos, atitudes e decisões, além de terem influência sobre outros mecanismos psíquicos. Pessoas vítimas de alienação parental são mais propensas a distúrbios psicológicos como, por exemplo, a depressão, a ansiedade e à dependência química.

Na fase adulta a pessoa deve se conscientizar se sofreu alienação parental na infância e em que nível isso ocorreu. A conscientização e a compreensão isoladas não oferecem o tratamento necessário, mas ajudam o adulto a ressignificar seu passado. Contudo, a psicoterapia facilita esse processo, pois através do acompanhamento psicoterapêutico o indivíduo encontra recursos para elaborar as questões provenientes da alienação sofrida, principalmente ao descobrir no "perdão" o antídoto para todas as outras "toxinas emocionais".


E aos pais e demais familiares cabe deixar uma orientação profissional:

Não descaracterize a imagem do seu (ex)cônjuge perante o seu filho, ainda que você tenha razões. E não imponha obstáculos na relação do seu filho com o pai ou com a mãe. Muito mais importante do que ser um ex companheiro, ele é PAI (MÃE) da criança. Seu filho precisa ter uma construção sólida a respeito da imagem dos pais, ainda que eles não estejam presentes. Portanto, valorize as figuras paternas da criança  e incentive momentos entre eles. Se for um genitor ausente, busque argumentos que aliviem os sentimentos de pesar do seu filho e não que intensifique-os ainda mais.

Gosto sempre de lembrar aos pais sobre um filme muito famoso, que foi lançado em 1998, de nome "A vida é bela". A história do filme se passa na Segunda Guerra Mundial, e o personagem principal estava preso com o seu pequeno filho em um dos campos de concentração. Entretanto, esse pai, com muito amor e humor, fez de tudo para que o filho acreditasse que estavam participando de um joguinho de guerra infantil. Fazer da maior atrocidade e tragédia de suas vidas, um momento lúdico para poupar sofrimento ao seu filho. A postura desse pai nos deixa uma lição sem precedentes.


Mileni Barros
Psicóloga



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