quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Como superar a dor da perda





 Escrito por Mileni Barros
Psícóloga & Coach
Hipnose Terapêutica

Todos nós já passamos por situações em que perdemos algo ou alguém muito importante na nossa vida. Existem diferentes tipos de perda: a de um parente ou pessoa querida no sentido de falecimento, perda no sentido de afastamento ou rompimento, perda de um emprego, de um ideal, de uma fase da vida, entre outros. Todas estas perdas geram consequências em nosso comportamento, visto que precisamos reestruturar nossos pensamentos e nos adaptar ao novo que se apresenta diante de nós. 

Geralmente, temos a tendência a resistirmos a qualquer forma de perda, mesmo que ela seja racional e consciente, que dirá uma perda forçada e inesperada. Este tipo de perda nos traz dores e influenciam nossas emoções por um bom período. Tudo aquilo que precisamos abrir mão significa um tipo de perda, por isso, dependendo do significado que tem para a pessoa, pode ser tão doloroso.

Após a perda, as pessoas passam por um processo psicológico conhecido como "Fases do Luto", que são as seguintes: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. O luto varia de um indivíduo para o outro, mas dependendo da situação e do grau de envolvimento da pessoa com o que se perdeu, pode durar por até dois anos aproximadamente.

Então, como fazer para superar a dor da perda?


1º - Converse com alguém sobre sua perda e dor

Conte para uma pessoa de sua confiança tudo o que há de mais profundo no seu coração em relação ao sentimento de perda. Faça isso durante um momento e com um objetivo definido. Se for preciso, converse com essa pessoa quantas vezes forem necessárias, inclusive em dias variados se sentir necessidade. Contudo, procure não ficar falando o que sente toda hora, tampouco para todos que se aproximarem de você.


Relatar os nossos sentimentos faz parte do processo de elaboração dos pensamentos. Através da linguagem discernimos nossas emoções e aliviamos nossa mente da pressão psíquica causada por sensações desagradáveis. 

2º - Supere o sentimento de culpa

Às vezes a gente culpa alguém, ou até a si mesmo, por não ter feito mais pela situação, ou por ter feito o que não devia.  Lembre-se de que você fez o que soube fazer naquele momento. Quando sabemos tomar a melhor atitude, com certeza nós a praticamos. Nas condições atuais, você pode enxergar de uma maneira diferente, mas naquele instante, cada um fez o que sabia fazer. Desapegue-se da culpa e não a dissemine dentro de si. 

3º - Canalize os sentimentos de raiva e revolta

Procure não negar, nem esconder esses sentimentos. Também não desconte em outras pessoas ou situações. Procure ter hábitos saudáveis, objetivos firmes, e autoconsciência emocional para que a raiva e a revolta sejam canalizadas de forma equilibrada através destes hábitos e comportamentos.

4º - Mantenha vínculos sociais

Esteja entre amigos e parentes. Não se isole, procure não ficar sozinho e busque conversar com boas companhias.  Quando as pessoas ficam sozinhas por um período muito longo, elas tendem a se sentirem inadequadas a grupos sociais e isso pode reforçar algumas de suas crenças limitantes. A falta de interação gera mais desânimo e abatimento, propiciando sentimentos de tristeza e pesar. Portanto, gere energia e interaja.

5º - Faça uma análise da situação

Responda a algumas perguntas: qual é o sentido dessa experiência dolorosa? O que eu posso aprender com ela? Existe alguma lição que eu esteja negligenciando? Em que essa experiência pode me aprimorar?

6º - Desenvolva pensamentos de fé e esperança

A crença de que a vida transcende estágios e a fé em uma força Superior (Deus) podem ajudar a lidar com as perdas e a supera-las. 

Em 2012, Harold G. Koenig¹, um dos maiores nomes quando o assunto é fé e ciência, realizou uma revisão de artigos científicos publicados por mais de um século, examinando as relações entre espiritualidade e saúde física e mental. O pesquisador identificou através desse estudo, que 73% das pessoas que praticavam pensamentos de fé voltados para o Divino, tiveram relações positivas de esperança, e 81% eram mais otimistas.

7º - Procure aceitar a realidade por mais dolorosa que seja

A aceitação promove o amadurecimento, ajuda a encontrar um sentido, traz alívio emocional e conclui um ciclo que precisa ser fechado emocionalmente.

8º - Se ainda assim estiver difícil superar a perda, procure um psicólogo. 

A intervenção terapêutica tem efeito significativo sobre os processos mentais. Invista no seu equilíbrio emocional e retome os prazeres da sua vida.


Mileni Barros
Psicóloga
Professional Coach

¹ Harold G. Koenig, resumos em "Handbook of Religion and Health". Artigos revisados de 1872 a 2010.


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